"Semana de 22 e Primeiros Tempos Modernistas"

15 de Março a 20 de Abril de 1983, Brasilinvest Plaza, São Paulo, SP, Brasil

Introdução

A Semana de Arte Moderna completou, em 1982, sessenta anos. Dela se poderia dizer que os seus efeitos e conseqüências suplantaram os seus propósitos. Limitada basicamente a objetivos artísticos e literários, a atuação dos seus realizadores repercutiu em todas as áreas e tendências culturais, políticas e sociais do País.
Com o passar do tempo, a Semana, contra o risco de se converter num fato isolado e elitista, ganhou dimensões nacionais, influenciando correntes de inteligência brasileira às vezes dividida outras vezes contraditória e quase sempre unificada nas manifestações de sua força criadora.
Antes de 22, o Brasil era um; depois de 22 o Brasil é outro em sua literatura, em suas artes plásticas, em sua música, no seu cinema, em seu jornalismo e em sua história. Por isso, qualquer retrospectiva que se faça da Semana de 22 não deve esgotar-se na pura comemoração do acontecimento. Transcorridos sessenta e um anos, mais do que a celebração, cabe-nos rever os caminhos de sua força e os equívocos de sua possível fraqueza.

MÁRIO CHAMIE


A comemoração do sexagésimo aniversário da Semana de 22 com a exposição "Semana de 22 e Primeiros Tempos Modernistas" propicia nova retrospectiva de todo este período de criatividade artística brasileira. A proposta não é definir e avaliar as diferentes manifestações decorrentes do modernismo da década de 20, mas mostrá-las e situá-las historicamente, desenvolvendo, paralelamente aos acontecimentos artísticos, a situação sócio-econômica do País, algumas vezes, geradoras desses acontecimentos.
Como todo processo histórico, também o processo artístico é contínuo e permanente. As datas e marcos que caracterizam esta exposição têm a finalidade de facilitar a leitura da mesma, nos níveis a que se propõem: salientar o desenvolvimento da arte através de temas principais; expor, numa segunda linguagem, atividades artísticas paralelas ou decorrentes desses temas principais e, ainda, mostrar a época social que os acompanhou.
Artes Plásticas, Literatura, Música, Teatro, Cinema, Rádio e Televisão são algumas das áreas abordadas pela exposição ano a ano. O desenvolvimento da vida política do País é mostrado através da Imprensa em seus momentos mais expressivos, tais como a quebra da Bolsa de Nova York e suas conseqüências na nossa economia, as revoluções de 30 e 32 e a Segunda Guerra Mundial.
A exposição inicia-se com as comemorações do 1o Centenário da Independência e com a Semana de Arte Moderna, evento quase despercebido pelo público na ocasião, mas de notáveis conseqüências na arte brasileira. No desenvolver dos anos, ela vai mostrando entre outros aspectos, as novas correntes das Artes Plásticas, a busca de uma Literatura de linguagem e temática brasileiras, a revolução da Arquitetura, o Teatro tradicional, a Revista Musical, as tentativas de realização de um Teatro de preocupações sociais, bem como os grupos filodramáticos, alguns de tendência expressamente anarquista e ainda, o advento do Cinema sonoro e suas conseqüências na nossa indústria cinematográfica, o aparecimento da Cinédia e o ciclo de Cataguases, realizado pelo cineasta Humberto Mauro, a implantação e expansão do rádio em território nacional, os carnavais de rua, o desenvolvimento da música popular brasileira e o aparecimento dos grandes ídolos populares. Em alguns casos, não só é mostrado o gato original, mas também, suas conseqüências ou desenvolvimento futuro.


Acervo

Exposição montada com material do Acervo da Secretaria Municipal de Cultura:

· Arquivos Multimeios da Divisão de Pesquisa do Centro Cultural São Paulo
· Biblioteca de Arte
· Biblioteca Mário de Andrade
· Discoteca e Biblioteca de Música


Equipe

Conceituação: Mário Chamie

Coleta de Material: Ricardo Ohtake

Produção: Sonia Fontanezi, Marina Mello, Carlos Moreno, Ana Maria Barcellos, Edigard de Amorim, Flávio Luiz Porto e Silva, Glória Cristina Motta, Glória Nogueira Lima (composição de texto), Kátia Novaes Rocha, Krystina Okrent Brawerman (revisão de texto), Marcia Regina Pagani, Maria Lucia Fernandes Ferreira, Maria Cecy Coelho, Nanci Hernandes Vila, Paula C. Motta, Sílvio Paulino Neder (fotografias) e Vera Lúcia Rocha.

Arquitetura / Centro Cultural São Paulo: Ricardo Forjaz e Rosa Camargo Artigas

Artes Cênicas / Centro Cultural São Paulo: Mauro Meiches, Maria Thereza Vargas e Linneu Dias.

Cinema / Centro Cultural São Paulo: Eliana de Queiroz

Imprensa / Centro Cultural São Paulo: Waltrand Weissmann e Yara Rodrigues.

Literatura / Centro Cultural São Paulo: Maria Helena Cury, Marica Fortunato e Vanda Falleiros.

Música / Centro Cultural São Paulo: Renato de Moraes

Rádio / Centro Cultural São Paulo: Flávio Luiz Porto e Silva, Edigard de Amorim, Beth Carmona, Nanci Fernandes Vila e Vera Lúcia Rocha.

Serviços Fotográficos: Nellie Solitrenick (reproduções) e Werner Haberkorn (ampliações)


Apoiadores e Patrocinadores

Abril Cultural
Arquivo de "O Estado de São Paulo"
Instituto de Estudos Brasileiros da USP
Instituto Nacional de Artes Cênicas / Divisão de Documentação
Museu Lasar

 
 
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